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Produtora de Vídeo, Cinema e Holografia |
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Moysés Baumstein, uma breve
biografia
Moysés Baumstein atuou nos mais diversos campos, da criação literária à pintura e da produção cinematográfica à holografia, movido por uma curiosidade e perseverança raras.
Com uma formação acadêmica multidisciplinar em economia, sociologia, matemática e teatro, ele mostrou ser um verdadeiro "homem da Renascença", que reuniu a arte e a ciência em todas as suas realizações. Uma irreverência demolidora contra todos os conceitos preestabelecidos
fazia parte de seu caráter, em certa medida complementando um espírito inquisidor que
buscava incessantemente novas formas de expressão aceitando todos os tipos de desafios.
Sua produção artística e literária refletia fielmente sua personalidade, tendo como bases estéticas o grotesco e o absurdo, a chamada "mistura de níveis ontológicos", ou seja, o humano integrado ao mecânico, o mineral ao orgânico, mas sempre em um contexto bem humorado e satírico. O princípio que o moveu a procurar durante toda sua vida por diversas
formas de expressões visuais foi o impacto causado por uma imagem de infância:
Impressionado com aquela imagem em três dimensões vista na vitrine (obtida por meio da sobreposição de uma placa de cristal ondulado em um processo chamado de anáglifo), Moysés Baumstein buscou informações sobre a estereoscopia. Comprou livros, adaptou filtros e começou a produzir imagens tridimensionais projetando imagens sobrepostas nas cores verde e vermelho e mais tarde com filtros polarizadores, permitindo a visualização tridimensional de fotos e filmes com óculos especiais. Continuou a praticar a fotografia através dos anos, mas teve a
oportunidade de se aprofundar quando entrou no campo das artes gráficas. Na
direção de uma indústria gráfica a partir de 1968 (Símbolo S/A) obteve os meios para
continuar suas pesquisas, aplicando-as ao meio impresso. Assim, editou varias
publicações infantis experimentais com o uso de óculos verde-vermelho, até que em
1972, desenvolveu um sistema de fotografia e impressão tridimensionais com a aplicação
de uma película de plástico ondulado sobre o impresso: o anáglifo (técnica então
utilizada no Japão e nos Estados Unidos comercialmente). Suas primeiras experiências holográficas foram feitas em 1982 com um equipamento totalmente improvisado. Porém, uma nova perspectiva se abria, Moysés começou a produzir holografias como passatempo e para outros artistas plásticos. Até que a realização de um workshop com o artista e hológrafo alemão Dieter Jung em 1983 despertou sua necessidade de aperfeiçoar sua produção holográfica. Em 1984 criou uma técnica de controle cromático em hologramas de reflexão inédita em todo o mundo. A precariedade de recursos o obrigava a inovar para obter resultados cada vez mais impactantes. Tal técnica foi ironicamente batizada de "Bafo System of Color Control". A partir disso, equipou melhor seu laboratório e iniciou uma produção constante. Realizou Hologramas, sua primeira exposição individual de holografias, no Museu da Imagem e do Som (MIS) em São Paulo: 20 obras no sistema reflexão. Sua produção cresceu qualitativamente e quantitativamente, começando
também a se direcionar para a área comercial. Confeccionou displays holográficos
para uso promocional em feiras, eventos e outras aplicações na área de marketing.
Moysés conseguiu obter formatos de até 1 m X 80 cm, e seus clientes foram basicamente os
departamentos de promoção de diversas empresas e agências de propaganda. Uma intensa pesquisa de linguagem começou a ser feita, tanto a nível comercial quanto artístico. A inexistência de uma sintaxe holográfica era um obstáculo para o desenvolvimento e aceitação desse meio. Moysés queria que a holografia não fosse apenas uma novidade tecnológica, uma curiosidade de laboratório. Isso o levou a estreitar seu contato com artistas, poetas e realizadores ligados ao Movimento Concretista, como Augusto de Campos, Décio Pignatari, Júlio Plaza e José Wagner Garcia. Juntos, desenvolveram uma série de projetos onde procuravam unir os pressupostos holográficos aos da poesia concreta como uma nova forma de linguagem, mais apropriada para o meio tridimensional. Desse encontro nasceu uma primeira exposição conjunta, Triluz, também no MIS, em dezembro de 1985, para a qual cada artista criou um projeto que foi executado holograficamente por Moysés. O trabalho conjunto levou à realização de outras exposições do grupo no exterior (em Portugal e na Espanha), além da venda de alguns hologramas para serem incorporados a coleções particulares nos Estados Unidos, Itália e Suíça. Uma segunda exposição conjunta, Idehologia, foi realizada no Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC), em 1987, coroando outras linhas de pesquisas conjuntas. Os projetos ficaram mais ambiciosos e complexos, dependendo de apoio ou patrocínio para se concretizarem, o que dificultou a realização de novas exposições. Moysés também desenvolveu pesquisas na área do cinema holográfico, tendo construído com o artista Wagner Garcia um protótipo de um kinetoscópio holográfico - um aparato baseado nos primórdios do cinema onde eram colocadas placas holográficas com imagens seqüenciais, visualizadas através de um sistema sincronizado de luz estroboscópica mais lentes plásticas de grandes dimensões. O resultado tornava possível a visualização da animação destes "frames tridimensionais" no espaço. Paralelamente, Moysés continuou a desenvolver holografias para fins
comerciais, chegando à holografia impressa, uma forma de produção holográfica em massa
utilizando um suporte de poliéster metalizado, cujo know-how era dominado por no máximo
dez empresas em todo o mundo. Fundou, em 1988, a Holobrás, uma empresa que produzia e
comercializava hologramas impressos e que em apenas um ano chegou a atingir 45% do mercado
brasileiro deste tipo de impresso. Moysés chegou a desenvolver uma máquina especial para
a estampagem do poliéster com grande produtividade. Porém, com o plano Collor, houve um
aumento da recessão, fazendo com que a Holobrás fosse desativada dois anos depois.
Assim, a atividade holográfica comercial continuou somente com a produção dos painéis
e displays holográficos de forma mais artesanal e a atividade artística, com trabalhos
individuais. Suas primeiras experiências em termos de técnica cinematográfica
foram realizadas no final da década de 50 com a bitola de 16mm, mas diante dos custos de
realização elevados abandonou o cinema derivando suas atividades para o teatro. Surgia em certa medida, uma forma prática de registro cinematográfico
com uma relativa qualidade, o que causou uma explosão mundial no uso dessa bitola.
Todos os seus filmes, realizados na década de 70, de alguma forma exprimem um humor mordaz e crítico, nos quais os temas mais comuns abordavam os meios de comunicação, o massacrado cotidiano, a cultura "padrão", e as patrulhas ideológicas, todos os dogmas eram atacados, mesmo os chamados temas políticos e sociais, em uma época onde eles eram considerados intocáveis. Ninguém era perdoado, esquerda ou direita...Com a decadência do Super 8, no início da década de 80, no Brasil, e com o advento do vídeo, transfere sua produção para este novo meio. A criação da VIDECOM, uma produtora
independente com seu filho Alberto, abriu a ele a possibilidade de prosseguir com suas
bem-humoradas realizações, dessa vez direcionadas para uma linha de programação
alternativa para a televisão. Participou de diversos Festivais e Mostras Independentes
sendo premiado em várias ocasiões. Na busca da imagem, o desenho sempre fez parte de suas atividades até que no final da década de 50 iniciou sua carreira na pintura com o mestre catalão Juan Ponç, com quem fundou o atelier L' Espai, em 1960. Desenvolveu seus primeiros trabalhos com pintura em óleo sobre tela, mas foi no desenho a nanquim que a expressão de seu universo grotesco se expandiu, chegando a expor entre 1962 e 1967 na IX Bienal de São Paulo, na 1a. Semana Nacional de Artes Plásticas e no XV Salão Paulista de Arte Moderna. Nessa mesma época fez sua primeira exposição individual na Galeria Seta em São Paulo (1966). Mais tarde, com o artista plástico Gruber aprendeu a arte da gravura sobre metal, como um desenvolvimento dos seus trabalhos. Sua experiência no campo das artes gráficas e da fotomecânica permitiu que ele experimentasse processos de fotogravura em cobre, criando um extenso conjunto de obras até 1972, ainda inéditas.
A pintura foi também retomada nessa nova temática com materiais mais
atuais como o acrílico sobre tela. Enfim, uma intensa atividade artística com a
produção de inúmeras obras com diferentes técnicas. Ao lado de Jacob Guinsburg, fundou a Editora Perspectiva, na década de 60, uma decorrência do fato de já ter publicado diversos ensaios sobre economia e sociologia no período acadêmico. Na editora teve oportunidade de conviver com os autores da casa, mentes brilhantes como a de Anatol Rosenfeld. Além disso, passou a exercitar seus talentos literários com pequenos textos e contos esparsos. A influência de Jacob Guinsburg e a experiência com a editora levaram-no a uma brusca mudança profissional. Em 1968, encabeçando um grupo de investidores, fundou a Símbolo S/A Indústrias Gráficas, firmando de maneira definitiva a sua inserção no contexto gráfico/editorial, o que lhe deu subsídios para realizações em artes plásticas.
Sua atividade literária foi interrompida por algum tempo até ser
convidado nos anos 80 a escrever uma coluna quinzenal sobre humor judaico (uma de suas
paixões).
Uma existência intensa e uma busca contínua por novos desafios foram
uma pequena amostra da vida de MOYSÉS BAUMSTEIN. Exposições Artes Plásticas e Holografias (resumo): 1966 - 1a. Semana Nacional de Artes Plásticas; São Paulo
1967 - X BIENAL- São Paulo, desenhos à nanquim e gravuras. 1983 - Primeiras Experiências com Holografia 1984 (Junho/Setembro) - Exposição itinerante de holografia
pela Alemanha através do Deutches Filmmuseum de Frankfurt (a convite de Dieter Jung)
1985 (Outubro/Dezembro) - HOLOGRAMAS DÍPTICO, XVIII. BIENAL - São Paulo. 1986 (Novembro/Dezembro) - Projeto Rosso, como artista
convidado, na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP); São Paulo 1987 (Abril) - HOLOGRAFIAS - individual no Centro Cultural São
Paulo; São Paulo. 1987/1988 (Dezembro até Maio) - MISSÕES 300 ANOS, -
Exposição itinerante com Trípitico Holográfico exposto no: Teatro Nacional de
Brasilia; Brasilia, Parque Lage; Ruio de Janeiro; MASP São Paulo; Centro Cultural da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (onde foi incorporado ao acervo local). 1989 Ministrou um Curso de Pós-Graduação em Holografia (1
semestre) para alunos da Universidade de São Paulo 1990 (Outubro) - Exposição de Holograma para o SESC - São Paulo (comemoração centenário da morte do poeta ANTERO De QUENTAL) Filmografia (SUPER-8): 1975 - A Operação/Ficção 1976 - O Manuscrito/Ficção 1977 - Hipismo/Ficção 1978 - Método Homeopático/Ficção 1979 - João e Maria, uma "Cocochanchada"
Política/Ficção 1980 - Ginástica Latina/Animação 1981 - Em Busca do Ouro/Ficção Videografia (dirigiu mais de 40 vídeos institucionais, empresariais e de treinamento entre 1982 e 1991 para a VIDECOM): 1984 - Pesquisa de Opinião Pública II/ Ficção 1985 - Capitão da Meia Noite/ Videoclip (para música homônima de Sá & Guarabira) 1986 - A Sopa/ Ficção 1991 - Trilogia do Último Minuto/ Ficção Homenagem Especial pela
sua obra |
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